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A nova roupagem do varejo de artigos usados

Já reparou como nos últimos anos o conceito de sustentabilidade atingiu áreas diversas? Fala-se sobre isso nas escolas, nas empresas e, inclusive, na igreja. A necessidade de pensar nos impactos sociais e ambientais de qualquer atividade tem ganhado o mundo. O ramo de vestuário não foge dessa tendência, principalmente o setor que recicla roupas e acessórios usados e descartados, o setor dos brechós.

Elisangela Gonçalves é comerciante e montou seu brechó há três anos. Ela prevê um futuro promissor nessa área. “Eu acho que o ramo dos brechós vai ser cada vez melhor, porque é uma moda sustentável, o que não serve pra você serve pra mim, serve pra outra, e a tendência é crescer”, explica Gonçalves.

A microempresária Carolina Arruda, confirma a influência da onda verde nas vendas do seu brechó. “As pessoas sabem que as roupas não estão mais tão descartáveis, então elas vêm vender nos brechós, a mídia faz muita propaganda de reciclagem e de que façam dinheiro com dinheiro”, narra.

Além disso, os brechós são uma ótima alternativa nesse momento de crise. “Cliente de classe baixa ou média, se é inteligente, compra no brechó pra economizar”, declara o proprietário de outro brechó Aparecido Parioto.

As lojas de artigos usados de vestuário são populares na Europa e nos Estados Unidos. Porém, foi há apenas alguns anos atrás que o preconceito ao redor delas diminuiu no Brasil. Os comerciantes afirmam que a vergonha de comprar roupas usadas tem se transformado em moda e atitude.

“Já se quebrou nesses últimos anos o preconceito. Se você for hoje na capital do Paraná, Curitiba, a visão sobre brechó já é diferente daqui. Então eu acho que isso vai crescendo mesmo, o pessoal já está mudando essa mentalidade”, elucida a proprietária de um brechó, Larissa Machado.

De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), de 2013 a 2015 o número de micro e pequenas empresas que comercializavam produtos usados cresceu 22,2% no País. De 10,8 mil lojas em janeiro de 2013, o total subiu para 13,2% em 2015.

A comerciante Elisangela Gonçalves afirma que cada dia mais as pessoas se adaptam aos brechós. “A procura aumentou bastante, porque antigamente existia um preconceito com os brechós, hoje não. Eu tenho cliente que é arquiteta, outras que trabalham na Receita Estadual, já que vendo peças boas e de qualidade”, expressa Gonçalves.

Mas é importante dizer que, apesar da nova visão emergente no Brasil em relação aos brechós, ainda nota-se um receio, mesmo que pequeno, por parte dos clientes. Carolina Arruda faz uso do Facebook para divulgação do seu brechó e percebe a hesitação dos fregueses em mostrar que frequentam o estabelecimento.

“Então, às vezes, as pessoas só visualizam, não curtem, não comentam, para não falar que vêm em brechós. Elas têm preconceito de falar que usam, mas não de usar. Isso mudou um pouco, porque os brechós estão mais limpos, mais selecionados. O preconceito foi sendo quebrado a partir de novelas tendo brechós, artistas falando que usam roupas de brechós…”, conta Arruda.

Neste ano, o Sebrae lançou a  Cartilha Práticas Inovadoras Comércio de Brechós. No documento, a instituição lista quatro práticas para atrair clientes às lojas de venda de roupas e acessório usados: uso de internet, foco na marca, valorização da sustentabilidade e a união de empresas do setor.

Internet

Além da cara mais clean de muitos brechós recentes, com produtos de maior qualidade e espaço físico visualmente mais bonito, o uso da internet tem sido um trunfo para a renovação do mercado de roupas usadas. Segundo um levantamento realizado pelo Sebrae em outubro de 2015, oito em cada dez donos de pequenos brechós usam as redes sociais como principal estratégia para conquistar clientes novos.

Tanto o ambiente físico, como a localização dos brechós, quanto o ambiente virtual, fazem a diferença na questão financeira desse ramo. Em Londrina, as ruas Pará e Mato Grosso são o point do mercado de brechós. “Facilita pra quem compra e quem vende”, aponta Carolina Arruda. “Já sabem onde procurar”, concorda o comerciante Aparecido Parioto.

Por esse motivo, os brechós mais antigos e, portanto, já conhecidos, não veem necessidade em buscar divulgação no mundo digital. “Se divulgar muito vou ter que contratar mais empregados e já trabalho muito. Uma boa propaganda é o bom atendimento de 35 anos. O boca a boca funciona muito”, esclarece Parioto.

A internet vira então uma grande aliada dos novos brechós, que ainda buscam conquistar uma freguesia fixa. A comerciante Gonçalves confirma o retorno positivo a partir do uso das ferramentas online para divulgação. “O Facebook ajuda tanto na hora de vender quanto para comprar, dá pra alcançar muita gente dessa forma. Tem gente que vem aqui e fala que viu o lugar no Face e que nos segue pela fanpage do brechó”, afirma.

O uso da internet contribui para que microempresários criem vínculos ainda maiores com a clientela já consolidada e ainda conquistem novos públicos. Mais de 70% das vendas do brechó da Larissa Machado são feitas graças ao espaço digital. “O legal da internet é que a gente cria um vínculo com o cliente. Porque, às vezes, o cliente vinha no brechó e voltava dali um mês, dois meses. Hoje tem clientes meus que vêm toda semana”, explica.

Machado usa diariamente as redes sociais, como Facebook e Instagram, para mostrar as novidades que chegam na loja e ainda divulga os produtos em classificados online gratuitos. Segundo ela, essa é uma maneira de atingir também o público jovem.

Assim como os próprios produtos dos brechós ganham vida nas mãos de novos donos, esse ramo tem se atualizado e alcançado novos públicos. Uma atividade antiga como venda de peças de vestuário usadas encontra sustento e base para crescimento a partir da inovação. Como outras áreas, a venda de artigos usados também acompanha as mudanças da sociedade e, por isso, se reinventa de tempos em tempos para sobreviver em um mundo chamado comércio.

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